O relógio analógico da consciência

Por que olhamos pro relógio analógico? Seria porque o tempo nos olha de volta? O que há nesse exercício simples, que teimamos a esquecer o procedimento e que fazemos pela arte do fazer, que fazemos pela arte de entender de como ler e como saber. O tempo que queremos saber, mas o tempo é que quer saber de nós o que queremos fazer quando tentamos decifra-lo.

No relógio são as setas que giram, são vetores que vagam numa velocidade angular, nós lemos o tempo e lemos ângulos, somos físicos, somos vento, somos ar, mas no fim o que queremos é na verdade saber que horas são pra lembrar qual é a próxima tarefa de agora ou a de depois, mas com certeza não será a de antes, será sim a de adiante, será à frente e não iremos querer nos atrasar por não saber administrar nosso próprio tempo.

Como esquecemos de ler o relógio analógico e porque o guardamos geralmente no pulso? O relógio da lógica, o relógio do raciocínio lógico é absoluto, é angular, mas ele cria curvas e retas, cria setas e ao mesmo tempo cria tempo em nossas mentes quando aprendemos a decifra-lo.

Num relógio original e um falsificado o que há de comum entre eles é a originalidade do tempo. Esse tempo traz consigo um relógio vital, a vida nasce do tempo ou o tempo é a origem da vida? Quem veio primeiro, o tempo ou o espaço? E que espaço era esse que nasceu a vida? E que tempo era esse que deu origem a vida? Questões que agora ainda não são claras, perguntas que deixaram pegadas nesse grande campo aberto, nesse quadro negro onde foi desenhado o primeiro gráfico do espaço tempo. Nós o desenhávamos muito antes do gráfico ser desenhado, nós olhávamos pro relógio e decifrávamos num instante, pois era relativo o que procuramos e sabíamos disso desde o início.

Uma tarefa simples de se ler o relógio analógico e que para alguém despreparado é algo impossível, um quebra-cabeça do tempo no nosso pulso, nós desafiamos o seu entendimento sobre nós e somos desafiados por ele a entendê-lo. Tic-Toc Tic-Toc, Tic-Toc e mais um ano se vai, mais um tempo se passou, mais uma década se passa diante dos nossos olhos e aqui estamos nós novamente, tentando ver que horas são nesse relógio analógico.

A seta grande representa os minutos, a pequena representa as horas isso. Então por que é normal esquecemos o que elas representam quando olhamos pra um relógio? Isso se deve ao exercício de atenção mais difícil de todos, nós precisamos esquecer como se lê um relógio pois nos desafiamos a decifrá-lo todos os dias. Uma música ecoa pelas montanhas ao redor desse grande campo que estamos e como um relógio, um metrônomo na nossa vida bate numa melodia complexa, as vezes rápida, as vezes alegre, as vezes lenta, as vezes triste, mas ela nunca para em silêncio, está sempre a formar uma nova canção, sempre no tom, sempre no campo harmônico. É disso que se trata ver as horas, encontrar dentro de si a harmonia entre a lógica e a razão de saber o que foi planejado pro próximo instante.

O que vem a consciência quando conseguimos ler o tempo? É hora de agir talvez a de sair, é hora de ir em frente pois logo mais haverá bons tempos nos aguardando, há provavelmente novas esperas, e principalmente haverá novas esperanças pois sempre há quedas nesse caminho. Se você sabe ler as horas então sabe que o tempo não é dispensável, e se você perdeu tempo sabe que lamentar pelo tempo perdido é, sem dúvida, um sentimento dispensável.

A nossa consciência não é só feita de razão, ela é integra, feita também de emoção. Se você tentar ser apenas razão, o tempo não fará sentido e se os ponteiros do relógio não têm sentido não há tempo em nossa consciência. Sendo assim, busque exercitar ambas as partes da sua consciência ou caso contrário esquecerá que horas são.

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