A revolta interna do homem e sua origem

Por que o homem revoltado é um homem que não tem base solida, alguém que não pode nomear sua casa de lar? Quais foram desde o princípio, as aflições que o tornou possível adjetiva-lo de revoltado? Poderíamos analisar de forma complexa toda sua rede de acontecimentos, mas isso não nos levaria a lugar algum, participaríamos então de sua ilogicidade e cairíamos nós mesmos na revolta contra nossa falta de autocontrole. Como poderíamos então analisa-lo sem que sua confusão nos deixe intoxicados? Criaremos então uma barreira psicológica, primeiro nos distanciaremos de nós mesmos e em seguida objetificaremos o homem revoltado de forma distante, algo longe de nós mesmos.

O primeiro requisito para que um homem revoltado seja criado é a percepção, sendo assim chegamos a uma característica chave da revolta: a acomodação que é o oposto da revolta. Veja bem, aquele que está revoltado não é um acomodado, está longe de casa, está longe de sua base e por isso não tem um lar fixo. Num momento esse homem luta contra sua própria acomodação e aflora em seu comportamento revoltoso, isso que é reconhecido. A percepção desse homem inicialmente assentado no seu território interno dá asas a sua revolta que o leva para novas terras e deixa para trás o que antes chamava de lar. Ele foge de sua zona de conforto.

Seguido da percepção vemos outra característica essencial para a revolta: a insatisfação. A intensidade e teor desta, é o que define num primeiro momento até onde esse homem irá ir. Ela dá a energia inicial para que este homem ande nas terras desconhecidas que a revolta irá guia-lo. A energia vinda da insatisfação e consequentemente da revolta é um fenômeno mais evidente do homem revoltado, ela o faz tomar atitudes, que para os demais que conviviam com o sujeito em questão, eram impossíveis, quase como se esse homem revoltado se tornasse outra pessoa.

Vale citar a notoriedade da periculosidade do uso dessa energia para fins maliciosos. Algumas pessoas, que se julgam conhecedoras quando o assunto é revolta, estimulam em si ou em outro sujeito esse sentimento a fim de chegar na energia para seus desejos íntimos e egoístas. É uma manipulação perigosa e contra natural. Não necessariamente antiética dentro do nosso grupo social, mas se for forjada com intenções maliciosas as consequências chegarão rápido. Digo também que seria justo estimular a revolta em um alguém acomodado em sua zona de conforto afim de evitar uma possível depressão ou alguma anomalia psicologia consequente do pertencimento a uma rotina repetitiva que tira a percepção do indivíduo em questão.

Depois da insatisfação outra característica essencial para a formação da revolta do homem é a coragem. Sem a coragem o homem não se levanta da cama, ele nem se quer prefere despertar-se pela manhã. Sendo assim, o homem que se revolta é um homem que se desperta de seu involucro, que se desprende de sua prisão interna. Não se deixe enganar, porém, as grades que antes prenderam o sujeito em questão não são sempre postas por outros homens. Muitas vezes é ele próprio que se prende em sua cela.

Sendo assim, o homem internamente revoltado é um sujeito que possui previamente percepção e identifica que está de forma demasiada na sua zona de conforto e dessa forma torna-se insatisfeito, nutrindo-se da energia gerada para explorar novos horizontes e firmar-se em um novo território. Esse novo lugar, porém, não será nomeado por ele, como lar, será sim algo transitório pois ele aprendeu com sua fase de revolta que como na vida nada é permanente.

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